Se tendes medo de por abaixo os murosSe o frio do pavor lhe freia os sentidos
Se sentes a mão pesada do destino
Aprisionando seus caminhos com sentenças imutáveis
Ah, companheiro !!! Estás perdido. Estás definitivamente perdido
No abismo da segurança eterna
Mergulhado para sempre no conforto sereno da mesmice
Nas águas paradas das certezas que jamais se abalam.
Desconstruir é preciso, sim, viver também é preciso.
Viver só se torna possível
Da maneira mais plena e deleitosa
Se a coragem nos impele a fazer cair por terra
Todas as máscaras, todas as certezas, todas as verdades
Absolutas que nos norteiam o pensamento.
Pois que seguir sempre o mesmo rumo é seguro,
É sólido, é tranqüilo,
Mas ao mesmo tempo nos mantém
Cativos eternos da monotonia.
E é essa mesma monotonia e calma,
Essa mesma serena forma sempre igual de viver
Que nos traz a morte ainda em vida,
O pesar dos atos não cometidos,
A derrocada definitiva dos sonhos,
Dos anseios, da esperança.
Que resta mais a esperar
Se a vida já se mostra tão perfeita ?
Que resta mais a sonhar
Se aparentemente tudo possuímos ?
Não, desconstruir é preciso.
Demolir é preciso.
Arrancar as folhas mortas,
Varrer para sempre a poeira do tempo.
Tornar-se árvore nua, mas de grossa e firmes raízes.
Um comentário:
simplesmente perfeito!
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