Hoje contemplei o nada
Vestido de suave pelagem cinzenta.
Hoje contemplei o nada em sua dimensão mais cruel:
O fim daquilo que há bem pouco era tudo.
O nada avassalador que esvazia os corpos,
Que elimina o bater do coração e a vivacidade da alma.
O nada que gela o sangue nas veias,
O nada que congela o nosso próprio coração ao ser contemplado,
E que o atravessa como um punhal.
O nada ali estendido, em sua frágil condição de ser que já não é.
O vazio absoluto, o caos, a imensidão negra.
Inexplicável, devastador, definitivo.
O nada que toma estranha vida nova, nas lágrimas, nos lamentos,
O nada que se incorpora ao nosso corpo como uma sombra,
Um desgostoso parasita que finca suas unhas no peito,
E aperta com sua teia todos os nossos sentidos.
Eu vi a cara da morte e ela estava viva.
segunda-feira, 2 de junho de 2008
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