Annya parou de repente, e olhou o mundo ao seu redor.Tanta violência e guerra, tanto desespero, tantas mortes sem sentido.Tantas vidas desperdiçadas. Tantas lágrimas, tantas tristezas, tanta maldade. Em cada esquina, o crime acontecendo. Em cada parque o abandono de centenas de animais. Em cada minuto, uma infinita possibilidade de novos desesperos.Sentiu-se subitamente sem fôlego. De que adiantava viver em um mundo assim ? De que servia estar viva e ter um coração dotado de sensibilidade e capacidade de amar ? Para quê ? Apenas para sofrer mais ? E era um sentimento tão solitário... Todos estavam ocupados demais com suas próprias vidas, ninguém olhava para os lados. Ninguém a entendia, nem mesmo seus amigos, nem mesmo sua família. Chamavam-na de sonhadora, visionária, louca. Diziam-lhe que era pura perda de tempo se preocupar. Que eram sem sentido e inúteis seus esforços. Annya não se importava com a incompreensão ou com as críticas. Estava acostumada. Mas se sentia profundamente incomodada com a falta que lhe fazia ter ao lado alguém com os mesmos ideais, a mesma paixão, a mesma sensibilidade, a mesma capacidade de amar sem limites. Sentia todo o peso do seu trabalho solitário. Sentia, como o poeta, ter apenas duas mãos e o sentimento do mundo. Sentimento do qual obviamente não dava conta. Suas mãos eram muito pequenas, e o mundo imensamente grande e cheio demais de incertezas e de pesares. Annya sentia-se sem chão.Duas mãos são realmente muito pouco para suportar o mundo... Mas algumas mãos, quando unidas, têm poderes inimagináveis. Tornam não só mais fácil caminhar e lutar contra o lado ruim da vida, como também suavizam as dores inevitáveis que surgem: perdas, tristezas, decepções... Nossas mãos, UNIDAS, podem muito. Podem até o improvável.
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